Materialismo Histórico-Dialético: fundamentos, categorias e método de exposição
O livro reconstrói o materialismo histórico-dialético em dupla frente. Na primeira, percorre a gênese do método na crítica a Hegel e Feuerbach, as premissas do materialismo histórico (produção social da vida, forças produtivas, relações de produção, luta de classes), o sistema das categorias centrais (totalidade, contradição, mediação, abstração determinada, historicidade), o percurso do concreto ao concreto pensado formulado na introdução de 1857 aos Grundrisse, e a demonstração paradigmática do método na crítica da economia política de O capital. Na segunda frente, que constitui a contribuição específica do volume, o livro converte a distinção marxiana entre investigação e exposição em instrumental operativo para a escrita científica, propondo os conceitos de ideia-força (formulação condensada do nexo central que organiza a exposição do objeto) e de ideias motrizes (movimentos internos da exposição que fazem a ideia-força avançar por mediações progressivas). A proposta opera deslocamentos demarcados a partir de Fouillée (ideia como princípio ativo), Sorel (condensação de totalidade complexa) e da tradição marxista das mediações (Lukács, Gramsci), e se distingue da noção anglófona de tese por três diferenças constitutivas: natureza organizadora e não apenas proposicional, primado do nexo do objeto sobre a posição do autor, e desdobramento interno por mediações em vez de sustentação externa por provas. Os capítulos finais acompanham os desdobramentos do método no século XX (Lukács, Gramsci, Kosík) e sua apropriação criadora na periferia latino-americana (Caio Prado Júnior, Marini, Florestan Fernandes), encerrando com o teste do método diante do capitalismo contemporâneo.






























